quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Bacalhoeiros - 1931.

http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=2709&type=Video





Tenho a certeza de ter conhecido muita gente que aparece nestas imagens, pese embora os 12 anos que faltavam para a minha mãe nascer, e os mais de 30 até eu entrar em cena. A minha avó estará seguramente entre tanta gente que se vê no filme.
E apesar da escassez das imagens, ainda assim percebe-se a beleza ainda pouco tocada, desta terra.


domingo, 11 de agosto de 2019

Os critérios misteriosos do (des)governo da autarquia.

O Abrigo da Montanha é um ex-libris da Figueira da Foz. Também o é a serra da Boa Viagem no seu conjunto. É a C.M.F.F. que o diz, e eu não discordo.
Para aceder ao Abrigo, e a um dos melhores miradouros que conheço ( e conheço mundo ), a estrada "natural" é a que vai do Teimoso para cima.
O primeiro troço, que faz parte da estrada n109-8, vai do dito restaurante, até ao triângulo da antiga casa do guarda florestal. Foi "ajeitada", penso, por volta de 2016.
Dai até ao largo do Abrigo, a estrada é designada apenas por estrada florestal, sem número, tanto quanto penso saber.
Esta não foi alvo de qualquer reabilitação em 2016, porquanto a autarquia, respondendo directamente a uma interpelação minha, entendeu que a mesma se encontrava em bom estado, o que só demonstra que não saem dos gabinetes, ou que são legalmente cegos.
Assim, mantém-se num estado de degradação vergonhoso desde há muito, com buracos na totalidade dos seus 1,3 kms.
Qual o preço de asfaltar aquele bocado? Metade dum apoio ao Carnaval, 2 Anselmo Ralph, 1 Findagrim ou uns 30.000 aérios. É muito dinheiro? Claro. E justifica-se? Se é um acesso ao que de melhor a Figueira tem para oferecer, obviamente que sim, e não duvido que qualquer Figueirense que goste desta terra, concordará.

O que descrevo é factual, e se alguém encontra incorrecções, faça-me o obséquio de me corrigir.

Se em 2016 não houve vontade nem visão para colocar aquela estrada no estado que a mesma merece, em 2019 a mesma C.M.F.F. teve o rasgo de génio e golpe de asa para mandar asfaltar um troço de 1,3 kms, na orla da malha urbana, no qual a maior parte dos Figueirenses nunca circularam, e uma maioria não conhece sequer. Onde? Antigo traçado da N 109, Chã -> Ferrugenta.
Exagerando nos números, direi que de há muitos anos que o trânsito naquele troço não ultrapassa uma ou duas dezenas de carros por dia, e os fogos habitacionais que serve directamente, não irá além de outra dezena em número.
No entanto, tem uma camada de asfalto "tapete"de vários centímetros, com arranjo de algumas bermas em calha de cimento. Tenho a certeza que vou conseguir saber qual o preço da obra. O que nunca irei saber, é o que é que estes governantes fumam, sendo certo é uma cena da pesada que lhes tolhe em absoluto a competência.

Entretanto, vamos esburacando serra acima e serra abaixo ( e em tantas ruas da cidade ), sendo um dado adquirido que pela mão do vice tornado presidente e putativo candidato, só teremos muito fumo e pouca gravitas para com os seus conterrâneos.

Ilustrando:














E um vídeo de parte do novel tapete, para "apalparem" a qualidade da coisa:







sexta-feira, 19 de abril de 2019

Lá diz o ditado: não há duas sem três...





23 dias, 3 postes deitados abaixo em outros tantos despistes.
Tanta "actividade", deveria acender luzinhas de alarme na cabecinha dos senhores autarcas: presidente da câmara e presidente da junta.
Segundo o primeiro, está tudo acautelado, não há problema, são uns quantos bêbados desordeiros que mancham o registo de segurança do troço rodoviário.
Ao presidente da junta, não lhe conheço qualquer acção, iniciativa ou sequer comentário à anormalidade de tanto despiste.
Começa a parecer um arrepiante presságio.
Eu NÃO quero ter razão. Quero que façam TUDO o que podem para reforçar a segurança daquela curva.
Mas se acontecer, repito, estarei na linha da frente a pedir responsabilidades!!

terça-feira, 9 de abril de 2019

Mais uma vítima...de cimento ( por agora! ).






12 dias depois, mais um despiste, mais um poste ao chão ( ainda o anterior não foi recolocado ).
Desconheço o que originou o acidente, mas isso é irrelevante para o resultado final, ou seja, a possibilidade de um despiste poder causar vítimas entre quem ali passa, principalmente a pé.

Como afirmou o sr. Vice-Presidente da CMFF ( agora Presidente )...


B) No que diz respeito aos trabalhos efetuados no âmbito da empreitada de beneficiação da curva do cemitério:
Foram implementadas várias medidas de acalmia de trafego, que se consideram eficazes e bastantes para aumentar a segurança rodoviária na zona e consequente redução da sinistralidade. 


Já não sobram muitos postes, e ainda vai a tempo de mudar de opinião. E, se como afirmou também, a sugestão dos rails atenta contra a estética do local, confesso que fico sem perceber quem autorizou ( de favor? ) o mamarracho em cima dos balneários da Tamargueira.

Da aldeia para o Mundo!

A vida tem ironias que não parecem casuísticas. O homem que liderou a Câmara Municipal da Figueira da Foz nos últimos 10 anos, sai antes de cumprido o mandato ( o terceiro! ) para secretário de Estado do Ambiente. Sim, leram bem: A-M-B-I-E-N-T-E!!
Desconheço quais os pergaminhos que recomendariam a sua nomeação para a área, mas os últimos 10 anos informaram-me das razões pelas quais o Ambiente é algo que não faz parte "da cena" de João Ataíde.
Quais são elas? Todas as posições passadas e actuais deste executivo camarário e do seu líder, nas questões que bulem com o ambiente no concelho.

Serra da Boa Viagem: não se lhe conhece qualquer acção no sentido de reorganizar, reflorestar e tornar mais atractivo para os munícipes, um espaço que é FABULOSO!!!
- Tem um dos miradouros com vistas mais fantásticas que conheço ( não, não é a Bandeira ), e deixa que uns eucaliptos de um particular que nem se importaria de os cortar, a título gratuito ou por um preço, tape completamente tal vista. Falo do Abrigo da Montanha.
- Não lhe conheço qualquer acção no sentido de conjuntamente com a tutela - ICNF -, proceder à reflorestação criteriosa de um espaço que foi fortemente afectado pelos incêndios de 1993 e 2005, e pelos temporais de 2013 e 2018, eliminando a praga das acácias e introduzindo espécies consentâneas com aquilo que foi idealizado inicialmente para o Prazo de Santa Marinha, e que foram quase totalmente dizimadas por aqueles desastres.
- A este propósito, na esteira do temporal Leslie e passados que estão 6 meses, só agora vem a limpeza, que durará, dizem, 4 meses, a qual não aconteceu antes por burocracia inerente a "concurso e hasta pública", e a necessidade de ter em conta "quatro marcos de património", informou o "competente" vereador. Mas a culpa não era da inacção do ICNF que tutela o espaço? Tanta porcaria que se faz na Figueira com preterição de concurso, e logo aqui temos que ter "concorrência"!!
- E no tema Serra da Boa Viagem, é também inevitável que, reconhecendo o bom serviço feito na pavimentação de parte da estrutura rodoviária que a atravessa, se "borre a pintura" não asfaltando o principal acesso - Teimoso/Abrigo - que se encontra esburacado, a par do troço de acesso ao Farol que se encontra ainda pior.

Couto Mineiro da CIMPOR: Há por aí notícia de que a CMFF ganhou a batalha da propriedade dos 74 hectares que faziam parte do couto mineiro do Cabo Mondego. Não vi a sentença, não posso confirmar. Mas certo é que tendo ganho a batalha, há 2 aspectos que me suscitam a mior curiosidade:
- A recuperação do local, esventrado por anos de exploração cimenteira, caberia, legalmente, à empresa concessionária, a suas expensas e em prazo determinado. A exploração terminou, tanto quanto sei, em 2013. Para além de um guarda à porta, não vi qualquer sinal de intervenção, fosse no cobrir das cicatrizes, fosse sequer na remoção de toda a maquinaria e edificado do local. A CMFF apertou com a CIMPOR ( ou Camargo Correa )?
- E assumindo que o local é já, em definitivo, domínio público, o que é que já foi feito ou pensado pelo executivo camarário para o local? O que não faltam são ideias, de técnicos, académicos e até, pasme-se, de indígenas, que poderiam criar um local de atracção global, do ponto de vista turístico e científico.

Obras de Requalificação de Buarcos: A parte mais mediática da requalificação em curso centrou-se no abate indiscriminado de árvores para acomodar o projecto "betonista" do arquitecto do regime. E que fez o edil quando confrontado com o absurdo da destruição de árvores com décadas? Recuou ligeiramente acossado pelo mediatismo que o Movimento Parque Verde imprimiu ao assunto, mas aproveitando o temporal Leslie, num acto de ressabiamento inqualificável, ordenaram o abate de quase todas as restantes para as quais o dito movimento tinha conseguido um "adiamento na execução". E não colhe o argumento de que irão haver mais árvores do que anteriormente, porque tal facto não exclude que as que há décadas ali singravam, tinham possibilidade de continuar, assim houvesse sensibilidade ambiental do edil.

Obras de Requalificação do Cabedelo: Sendo matéria que não tenho acompanhado de perto, ainda assim vou lendo que além da notória falta de conhecimento local na elaboração do projecto ( e até algum fio de acomodação de interesses particulares próximos à governação ), existe de forma mais flagrante, uma desconformidade legal com os planos de ordenamento em vigor para aquela área. Atendendo a que a obra é responsabilidade da APA, neste caso, o que deveria um presidente de câmara fazer? Analisar se a obra serve o local, os locais e o concelho, e se respeita a lei. O que é que fez? Pugna, quando instado a fazê-lo nas diversas  reuniões de de câmara ( e quando instado a explicar ) pela legalidade e bondade do que está a ser feito, em flagrante oposição a quem está no terreno e conhece a realidade. Tutelando agora a APA, não me parece que vá dar ouvidos aos indígenas informados.

Molhe Norte e a Erosão: O maior areal urbano da Europa. Tinha de ser assim? Não. Resolve-se como? Com soluções técnicas adequadas e comprovadas, as quais são encontradas nas conclusões de estudo ou estudos sobre a questão concreta. Custa dinheiro? Sim. Parece que 100.000€. Se a entidade responsável ( APA, outra vez? ) não se "encosta ao balcão", há algum impedimento a que a CMFF o faça? Dinheiro. Câmara pobre, que só agora saíu do espartilho financeiro. O que não impede que ache que 3.000.000€ em dragagens é uma solução boa, mesmo que não resolva o problema de fundo, e os efeitos se restrinjam a um par de anos. Mas descansem, que para Carnavais e arraiais há sempre guito. E o que tem mais impacto na Figueira a prazo? O Carnaval e os festivais, ou uma intervenção que resolve o problema de um areal que descaracteriza a Figueira e uma erosão que coloca em risco os aglomerados populacionais do sul do concelho?


Parque Verde Urbano: O “corredor verde urbano”, supostamente localizado à entrada da Figueira, naquilo a que se chama várzea, é uma promessa eleitoral de João Ataíde, e destinava-se ( presumo ), a consolidar a zona que Pedro Santana Lopes, no seu consulado, designou como “futuro parque verde urbano” ( ainda lá está a placa na entrada da Figueira ). Mesmo sabendo o valor da promessa eleitoral e a palavra dos políticos, o corredor verde neste momento já conta com pelo menos 3 superfícies comerciais de grande dimensão, e está uma ainda maior em fase de construção. Tudo, conforme explica o edil, para que “os de fora possam cá vir fazer compras”. De corredor verde a corredor cinzento. Mudança de tonalidade, apenas isso.

Mais situações existem, muitas fora da freguesia de Buarcos, mas no concelho, que merecem ser abordadas por quem tenha mais conhecimento das mesmas.

Positivo da nomeação, é o facto de nos livramos dele com 10 anos de atraso, mas mesmo assim 2 anos antes do previsto. Para quem nunca cá quis estar ( isto de ser presidente de câmara e ter de aturar munícipes deve ser aborrecido ), acredito que seja também com enorme regozijo que se despede. Negativo, é que a vereação continua, agora encabeçada por um Figueirense que deu cobertura integral à governação do anterior, e isso, meus caros, não augura nada de bom.

Votos de maiores sucessos ao senhor secretário do ambiente.
 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Pumba!!






Há cerca de 1 ano, a propósito da curva do cemitério, enviei ao dr. Carlos Monteiro, Vice-Presidente da C.M.F.F., mail que publiquei aqui, cuja resposta transcrevi então.

O trecho fundamental da resposta do edil, é a seguinte:


B) No que diz respeito aos trabalhos efetuados no âmbito da empreitada de beneficiação da curva do cemitério:
Foram implementadas várias medidas de acalmia de trafego, que se consideram eficazes e bastantes para aumentar a segurança rodoviária na zona e consequente redução da sinistralidade. 
Destacam-se:
Bandas cromáticas – numa sequência de pares de linhas transversais contínuas com espaçamentos degressivos – facilmente legíveis, foram aplicadas antes da curva, para alertar para a necessidade de praticar velocidades mais reduzidas, nesta zona, complementando a sinalização vertical de perigo existente.
Corsafe – Este tipo de sinalização horizontal de área colorida em vermelho anti-derrapante, foi aplicada com resinas coloridas de alta visibilidade, alta refletividade, claramente visível. Com todas estas propriedades, alerta os condutores, melhora o atrito e visibilidade na área da curva (propensa aos acidentes).


Hoje, 27 de Março, mais um poste deitado abaixo pelo despiste, presume-se, de uma viatura automóvel.
Excesso de velocidade? Talvez. Alcoolemia acima do legalmente permitido? Talvez. Distracção causda pelo uso de telemóvel? Talvez.
Seja qual for o "talvez", o que lá está em termos de medidas de segurança, conforme explicitadas pelo sr. Vice-Presidente, não é manifestamente suficiente para acautelar a continuidade dos acidentes e, esperemos que não, evitar uma tragédia como as que se verificaram demasiadas vezes no passado, naquele local.

sr. Vice-Presidente, dr. Carlos Monteiro:

Seja proactivo, seja cauteloso, seja sensato e considere a opinião de quem já viu muita desgraça ali.
Se não o fizer, eu serei dos primeiros a ir atrás dos responsáveis quando - esperemos que não - alguma desgraça acontecer.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Votar ou responder ao INE?

O voto é uma faculdade, um direito, cujo não exercício não acarreta qualquer penalização directa e imediata para o não-eleitor. O Estado entende que assim deve ser.
Contudo, o mesmo Estado, penaliza com coima de 250 a 25.000€, quem não tenha disponibilidade ou pura e simplesmente não queira, responder a umas perguntas do INE ( Instituto Nacional de Estatística ) sobre, a título de exmplo, um "inquérito sobre o emprego".
Estranho Estado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Agora que o Cabo Mondego é de novo domínio público ( diz-se por aí ), venham de lá ideias.



Contributo para a Valorização e Recuperação das Pedreiras do Cabo Mondego

Potencial para Geoturismo
                                           
 Andreia Sofia Albino Romeiro
               
Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura Paisagista


https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&ved=2ahUKEwjqkYKFs97fAhWGnhQKHYpSDrgQFjAFegQIBBAC&url=https%3A%2F%2Fwww.repository.utl.pt%2Fbitstream%2F10400.5%2F12919%2F1%2F01_ROMEIRO%252C%2520A.S.%2520-%2520Contributo%2520para%2520Valoriza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520e%2520Recupera%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520das%2520Pedreiras%2520do%2520Cabo%2520Mondego.pdf&usg=AOvVaw2zCM405PAoU7d8K2_4vg_H

Intérprete, procura-se.

Isto é...?





P.S. Na versão mais Buarqueira...Quéisto Pá??

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Demorou uns anos, mas finalmente vai voltar a haver luz no...túnel.

Anos, para resolver algo tão prosaico.
Os pormenores importam, senhores autarcas. As pequenas coisas têm impacto nos lugares e nas pessoas.
Continuem, que há aí muita coisa pequena a precisar de atenção. Nós e Buarcos, agradecemos.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A Figueira merece o esquecimento. Alguns Figueirenses, não.

A participação cívica na Figueira, é isto...

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Paulatinamente...

Se os fenómenos como aquele que se abateu sobre nós não são imputáveis à incúria ou inacção de alguém em concreto, o que se faz posteriormente é responsabilidade de todos, privados e poderes públicos.
Todos os privados tentam reparar as suas vidas como podem.
Alguns ( quero pensar que muitos! ), vão ainda para além da coisa individual, e dão o seu esforço, pequeno ou grande, em prol da coisa comunitária, limpando e removendo os detritos espalhados por toda a malha urbana.
Tendo presente que a autarquia não tem ( nenhuma tem! ) meios infinitos, espero que cumpram com o seu dever. Parte do meu bairro já cumpriu com o seu.
Aguardamos, C.M.F.F..



domingo, 14 de outubro de 2018

Leslie e o pé-frio.

Infelizmente, mais uma data para a memória Buarqueira registar pela negativa.
Pude constatar, girando desde as 8:00 da manhã, aquilo que aanoite já fazia antever:  Caos e destruição em toda a malha urbana ( e na serra também ).
O que eu não vi ( e farei a adenda com pedido de desculpas, se me provarem errado ), foram operacionais no terreno a limpar ( excepção a um par de carrinhas da Vibeira ) e os responsáveis autárquicos a acompanhar.
Como a Câmara tem portas fechadas e só o carro oficial à porta, posso assumir que sendo domingo, estão de gozo de fim-de-semana.
Sendo assim, eu e outros operacionais privados, vamos limpando telha partida e vidro das ruas onde moramos, esperando que um dia destes os operacionais públicos venham buscar os montes de entulho que nós juntámos.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Serra de Monchique / Serra da Boa Viagem: a história repete-se.

Numa altura em que na Serra de Monchique lavra um incêndio há já 7 dias, é inevitável olhar para a Serra da Boa Viagem, e apercebermo-nos das semelhanças.
A Serra da Boa Viagem foi palco de 2 grandes incêndios nos últimos 25 anos: 1993 e 2005.
O de 1993, que começou na vertente norte em 20 de Julho, ardeu durante 3 dias e passou por 1.170 hectares do perímetro florestal, incluíndo o Prazo de Santa Marinha. Recordamo-lo sobretudo porque queimou a maior parte da vegetação da serra como a conhecíamos ( restou a mancha em redor do Santo Amaro ) mudando a fisionomia daquele lugar ( vídeo do Rally do Centro de 1989 - https://www.youtube.com/watch?v=D-F8F_lwOfU  ) e destruiu o Abrigo da Montanha.
( Uma boa análise técnica deste incêndio, aqui. )

O de 2005 começou a 2 de Outubro, sendo extinto 1 ou 2 dias depois.
Ambos consumiram uma grande fatia da vegetação de grande porte na serra, e na falta de uma reflorestação ordenada e implementação de controlo de espécies oportunistas ( acácia principalmente ) deram origem ao aparecimento desenfreado dessas mesmas espécies. Escusado será dizer que estão em crescimento há 13 anos, e a única intervenção de que me tenha apercebido, é uma "rapagem" de mato de algumas bermas das estradas que traçam a serra.

E o que é que isto tem a ver com Monchique? Tudo.
Lá, como cá, não foi feita uma intervenção pensada para evitar que o coberto vegetal crescesse desenfreada e desreguladamente desde o último grande incêndio ( 2003 ), e segundo as opiniões que vou ouvindo e lendo, tal acumulação de combustível - leia-se, vegetação - tornou-se um desastre à espera de acontecer. Demorou 15 anos. Mas não falhou.
E a serra da Boa Viagem?
Na minha pouco técnica opinião, está carregadinha com o tal combustível que vem a acumular desde 2005 ( 13 anos ), e basta que um qualquer pirómano, são ou maluco, coloque o fogo no sítio certo,  para que, com as condições de vento que se fazem sentir hoje, num ápice a serra volte a 1993 e 2005, e se coloquem vidas e bens em perigo.
Esta é obviamente uma questão a resolver por instituições da administração central e pelo Governo, mas é algo que a CMFF da Figueira da Foz devia ter como prioridade desde o momento em que o incêndio de 2005 ( e especialmente o de 1993 ) foi dado como extinto.

Haverá quem veja nos meus textos uma grande dose de negativismo e morbidez, mas eu é que sei o que gosto desta terra, e a frustração que tenho em ver que se podia fazer tanto e se faz tão pouco.
Passo muitos dias a palmilhar esta terra, seja à borda do mar seja nos caminhos da serra, de carro, a pé, de bicicleta, e isso dá uma perspectiva mais próxima, e que permite que me aperceba do que não é feito e que devia sê-lo, não porque eu acho, mas porque é uma necessidade para a comunidade, e faz parte do dever de um autarca eleito.

Infelizmente, é muito provável que o futuro próximo me dê razão, e que tenha de andar de mangueira de jardim na mão, a tentar proteger do fogo aquilo que é de família, amigos, conhecidos e até de estranhos. 






quarta-feira, 8 de agosto de 2018

É isto tudo.


https://aventar.eu/2018/08/08/coimbra-mare-baixa/


Coimbra queria turistas. Têm-os. Mas não mexe um dedo para merecê-los. Saca deles o que pode e trata-os, e aqui é que bate o ponto, tão mal como trata os seus cidadãos. E uma cidade que não cuida da felicidade dos seus habitantes, não cuidará da dos visitantes, mesmo que pareça fazê-lo. E está destinada a perder o melhor de uns e outros.

A sina deles é também a nossa.