Nasci em 1963.
À data, Buarcos era uma terra ainda muito arreigada ao mar, à pesca, e cheia de pescadores.
60 anos depois, alguém que nos visite pela primeira vez ou que tenha começado a vir a Buarcos há 10 ou 15 anos, nunca terá qualquer noção de que esta era, antes de tudo e do mais, uma localidade piscatória e de homens do mar.
O legado foi-se com a última embarcação que tiraram da praia.
Obviamente, há uma série de factores que contribuíram para este apagar de memória e rasto. Opção dos locais por outros meios de vida com a consequente falta de pescadores, escasso rendimento da arte dos botes, imprevisibilidade de se poder ir à faina, exigências de um turismo mais asséptico, e mais alguns pozinhos.
Podíamos e devíamos ter preservado alguma memória física ( o Mestre Vidas é dos poucos que o fez, e bem ). Um bote ou lancha no meio de uma rotunda, não revela nada do que foi o Buarcos piscatório.
2 ou 3 botes na praia, nos meses de calmaria, recriando 2 ou 3 artes de antanho, sim. Arrasto para a borda. Redes de enmalhar. Pesca à linha de Mão. Cofres ou Marujonas. Palangre.
Carreiro Grande. Carreiro Pequeno. Alta do Rio. Medroa do Mar.
Não precisamos de ir mais longe. Recriamos, entretemos e mantemos memória.
Eu estou disponível.
Fica a sugestão